Comer na contemporaneidade: heterotopias alcoólicas, excessos do corpo e uma culinária indócil

Fuente: Redalyc
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Autor principal: Michelle Medeiros
Formato: Artículo científico
Lenguaje:pt
Publicado: Pontificia Universidad Católica del Ecuador 2016
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author Michelle Medeiros
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contents Comer na contemporaneidade: heterotopias alcoólicas, excessos do corpo e uma culinária indócil Michelle Medeiros Josimey Costa Comunicación Comer corpo álcool excess o heterotopias Comer na contemporaneidade, ainda que permeado por diversos fatores, guarda o científico como direcionamento hegemônico: um logos que compreende o bom corpo como o produto de uma saúde moralizada e racional, onde não há espaços para o que Georges Bataille denominou como dispêndios improdutivos. Aos dispêndios cabem a busca dos estados de excitação ilógicos, fora da razão e esgotamento do corpo. Portanto, para além de uma atitude de conservação da saúde, comer, como empreitada humana delineada em uma lei da economia geral, é também uma atividade do excesso. Esse é um dos temas de interesse em Em busca do tempo perdido (BTP). Analisar a imbricação entre o álcool e os excessos, a partir do texto BTP, foi o objetivo desta pesquisa. Para isso, foram realizadas leituras da obra e uma posterior sistematização em um arquivo digital que subsidiou a análise. Percebeu-se na Recherche o uso de uma variedade de bebidas alcoólicas: cervejas, conhaques, cidras, licores, mazagran, glória, vinhos tintos, espumantes, porto. Percebeu-se ainda que o álcool autoriza o acesso do corpo às heterotopias do desvio: os espaços de fora, que localizam indivíduos com comportamento desviantes em relação à norma. Notou-se na obra que o corpo vive a dilapidação do excesso: seja ao consumir o álcool em si, seja ao acessar as heterotopias, sobretudo nas cenas de sadomasoquismo. As práticas de consumo alimentar, como produto humano, guardam não só o nutritivo e a matéria-prima, mas a desnutrição e a excrescência, uma culinária indócil: a compreensão de que tudo que há de mais humano em cada um de nós, a violência, o sadismo, a criação, o amor, também habita um comer para uma gorda saúde. Quando uma culinária indócil promove a saúde deve compreendê- la como a aptidão do sujeito para criar aquilo que falta. 2016 artículo científico 1605-4806 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=199547464014 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=1995 Razón y Palabra application/pdf Pontificia Universidad Católica del Ecuador Razón y Palabra (Ecuador) Num.94 Vol.20
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Comer na contemporaneidade: heterotopias alcoólicas, excessos do corpo e uma culinária indócil Michelle Medeiros Josimey Costa Comunicación Comer corpo álcool excess o heterotopias Comer na contemporaneidade, ainda que permeado por diversos fatores, guarda o científico como direcionamento hegemônico: um logos que compreende o bom corpo como o produto de uma saúde moralizada e racional, onde não há espaços para o que Georges Bataille denominou como dispêndios improdutivos. Aos dispêndios cabem a busca dos estados de excitação ilógicos, fora da razão e esgotamento do corpo. Portanto, para além de uma atitude de conservação da saúde, comer, como empreitada humana delineada em uma lei da economia geral, é também uma atividade do excesso. Esse é um dos temas de interesse em Em busca do tempo perdido (BTP). Analisar a imbricação entre o álcool e os excessos, a partir do texto BTP, foi o objetivo desta pesquisa. Para isso, foram realizadas leituras da obra e uma posterior sistematização em um arquivo digital que subsidiou a análise. Percebeu-se na Recherche o uso de uma variedade de bebidas alcoólicas: cervejas, conhaques, cidras, licores, mazagran, glória, vinhos tintos, espumantes, porto. Percebeu-se ainda que o álcool autoriza o acesso do corpo às heterotopias do desvio: os espaços de fora, que localizam indivíduos com comportamento desviantes em relação à norma. Notou-se na obra que o corpo vive a dilapidação do excesso: seja ao consumir o álcool em si, seja ao acessar as heterotopias, sobretudo nas cenas de sadomasoquismo. As práticas de consumo alimentar, como produto humano, guardam não só o nutritivo e a matéria-prima, mas a desnutrição e a excrescência, uma culinária indócil: a compreensão de que tudo que há de mais humano em cada um de nós, a violência, o sadismo, a criação, o amor, também habita um comer para uma gorda saúde. Quando uma culinária indócil promove a saúde deve compreendê- la como a aptidão do sujeito para criar aquilo que falta. 2016 artículo científico 1605-4806 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=199547464014 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=1995 Razón y Palabra application/pdf Pontificia Universidad Católica del Ecuador Razón y Palabra (Ecuador) Num.94 Vol.20
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