Realidade social: a violência, a segregação e a falta de vergonha

Fuente: Redalyc
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Main Author: Ilka Franco Ferrari
Format: Artículo científico
Language:pt
Published: Universidade de Fortaleza 2007
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author Ilka Franco Ferrari
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contents Realidade social: a violência, a segregação e a falta de vergonha Ilka Franco Ferrari Psicología honra vergonha violência segregação realidade social O texto tem como eixo condutor a noção de realidade social, que,na psicanálise, é dita transindividual. Jacques Alain-Miller é um doscríticos daquilo que atualmente se discute no âmbito da correntefilosófica norte-americana conhecida como filosofia analítica, na quala noção de realidade social, considerada novidade, é estruturada navertente simbólica. Miller mostra que esse terreno já era conhecidodesde a atualidade freudiana. Abordar fenômenos como violênciae segregação supõe não desconsiderar a realidade social e suasparticularidades. E assim se desenvolve o texto, que também recorreàs ricas contribuições da filosofia política, com Hannah Arendt. Épor meio dessa interlocução entre psicanálise e filosofia política quea violência e a segregação são consideradas sintomas, tendo comoreferência conceitos de sintoma que permaneceram, em Freud e Lacan, na atualidade em que a vergonha e a honra perderamespaço. A vergonha é diferenciada da culpabilidade e consideradaum afeto primário da relação com o Outro, algo bem íntimo dosujeito. A culpabilidade é demarcada como o efeito, no sujeito,de um Outro que julga, já que é guardião de valores que o sujeitotransgride. Em nosso mundo, como diria Arendt, que até demarcouum conceito de mundo, há falta de vergonha. Torna-se difícil morrerde vergonha, pois o Outro, necessário para que esse afeto se instale,“não existe”. “O Outro que não existe” é um modo milleriano dereferir-se à atualidade que comporta um Outro não-todo, tambémconhecida como atualidade líquida, como hipermodernidade e pósmodernidade.Os praticantes da psicanálise defrontam-se com ossujeitos dessa época e são inventivos, não se deixando tombarao peso do saudosismo ou do humanitarismo. A parte final dotexto traz, então, algumas considerações sobre os impasses dessaprática e o desejo do analista que a sustenta. 2007 artículo científico 1518-6148 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=27170203 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=271 Revista Mal-estar E Subjetividade application/pdf Universidade de Fortaleza Revista Mal-estar E Subjetividade (Brasil) Num.2 Vol.VII
format Artículo científico
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publishDate 2007
publisher Universidade de Fortaleza
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Ilka Franco Ferrari
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Realidade social: a violência, a segregação e a falta de vergonha Ilka Franco Ferrari Psicología honra vergonha violência segregação realidade social O texto tem como eixo condutor a noção de realidade social, que,na psicanálise, é dita transindividual. Jacques Alain-Miller é um doscríticos daquilo que atualmente se discute no âmbito da correntefilosófica norte-americana conhecida como filosofia analítica, na quala noção de realidade social, considerada novidade, é estruturada navertente simbólica. Miller mostra que esse terreno já era conhecidodesde a atualidade freudiana. Abordar fenômenos como violênciae segregação supõe não desconsiderar a realidade social e suasparticularidades. E assim se desenvolve o texto, que também recorreàs ricas contribuições da filosofia política, com Hannah Arendt. Épor meio dessa interlocução entre psicanálise e filosofia política quea violência e a segregação são consideradas sintomas, tendo comoreferência conceitos de sintoma que permaneceram, em Freud e Lacan, na atualidade em que a vergonha e a honra perderamespaço. A vergonha é diferenciada da culpabilidade e consideradaum afeto primário da relação com o Outro, algo bem íntimo dosujeito. A culpabilidade é demarcada como o efeito, no sujeito,de um Outro que julga, já que é guardião de valores que o sujeitotransgride. Em nosso mundo, como diria Arendt, que até demarcouum conceito de mundo, há falta de vergonha. Torna-se difícil morrerde vergonha, pois o Outro, necessário para que esse afeto se instale,“não existe”. “O Outro que não existe” é um modo milleriano dereferir-se à atualidade que comporta um Outro não-todo, tambémconhecida como atualidade líquida, como hipermodernidade e pósmodernidade.Os praticantes da psicanálise defrontam-se com ossujeitos dessa época e são inventivos, não se deixando tombarao peso do saudosismo ou do humanitarismo. A parte final dotexto traz, então, algumas considerações sobre os impasses dessaprática e o desejo do analista que a sustenta. 2007 artículo científico 1518-6148 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=27170203 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=271 Revista Mal-estar E Subjetividade application/pdf Universidade de Fortaleza Revista Mal-estar E Subjetividade (Brasil) Num.2 Vol.VII
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