Autonomia reflexiva e produção do conhecimento científico: O campo da sociologia no Brasil (1999-2008)

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1. Verfasser: Tatiana de Pino Albuquerque Maranhão
Format: Artículo científico
Sprache:pt
Veröffentlicht: Universidade de Brasília 2010
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author Tatiana de Pino Albuquerque Maranhão
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contents Autonomia reflexiva e produção do conhecimento científico: O campo da sociologia no Brasil (1999-2008) Tatiana de Pino Albuquerque Maranhão Sociología agendas temáticas autonomia reflexiva Sociologia da ciência política científica e tecnológica produção de conhecimento científico O objetivo principal da presente tese foi descrever e analisar as características e condições da autonomia do campo científico por meio da produção do conhecimento sociológico no Brasil (relações entre atores sociais, financiamento público e temas pesquisados), entre 1999 e 2008. A partir do constructo teórico de autonomia reflexiva, as informações foram sistematizadas em cinco bases de dados desenvolvidas pela autora, contendo variáveis relacionadas aos temas da política científica e tecnológica (Planos Plurianuais, legislação e projetos fomentados pelo CNPq) e aos temas da produção de conhecimento científico na sociologia (livros produzidos no âmbito dos programas de pós-graduação e artigos publicados em periódicos dominantes). Após a descrição dos dados, certas variáveis foram recodificadas em duas outras bases, intituladas Agendapol e Agendasol. Estas possibilitaram análises de conteúdo, de frequência temática e de similaridade entre categorias temáticas encontradas. Os resultados obtidos reforçam sobremaneira a explicação da autonomia reflexiva como característica do campo científico, mediante a compreensão de que o que se produz na sociologia não está relacionado diretamente aos assuntos delineados pelo fomento público federal: encontraram-se poucas pesquisas com muitos recursos e, ao mesmo tempo, uma tendência crescente na quantidade de pesquisas com poucos recursos (valor médio de até R$ 27 mil). Verificou-se ainda a existência de trabalhos solitários “artesanais”, bem como a existência de grupos de pesquisa e de redes produzindo coletivamente. Além disso, soube-se que os atores (individuais e institucionais) que mais publicam livros não são os que mais publicam artigos, o que pode indicar lógicas de produção e de acesso à publicações diferentes. Proporcionalmente aos livros e aos projetos de pesquisa, a publicação de arti gos é pequena, realizada por poucos atores institucionais que, no entanto, concentram mais recursos de fomento à pesquisa. Enfim, um fato marcante dentre os resultados desta tese consistiu na comprovação empírica da reprodução da dominação de certas instituições de ensino superior (IES) no campo sociológico. Num grupo de 14 IES que estão acima da média na produção de artigos, de livros, de projetos e de fomento federal recebido, Iuperj, USP e Unicamp encontram-se num primeiro patamar de produtividade. Embora não se questione de modo algum a qualidade dos trabalhos ou de seus pesquisadores, tal situação é desfavorável às transformações estruturais necessárias no fomento à pesquisa e cria entraves para novos atores tanto no que se refere ao acesso à publicação como na tomada de posições em comissões estratégicas no campo científico. Por outro lado, evidenciando que as estruturas de dominação não conseguem controlar nem determinar o campo científico, a contínua pressão de novos atores (institucionais e individuais) com demandas de diferentes campos, em conflito por posições e por reconhecimento fortalece a reflexividade. F 2010 artículo científico 0102-6992 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=339930909016 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=3399 Sociedade e Estado application/pdf Universidade de Brasília Sociedade e Estado (Brasil) Num.2 Vol.25
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Autonomia reflexiva e produção do conhecimento científico: O campo da sociologia no Brasil (1999-2008) Tatiana de Pino Albuquerque Maranhão Sociología agendas temáticas autonomia reflexiva Sociologia da ciência política científica e tecnológica produção de conhecimento científico O objetivo principal da presente tese foi descrever e analisar as características e condições da autonomia do campo científico por meio da produção do conhecimento sociológico no Brasil (relações entre atores sociais, financiamento público e temas pesquisados), entre 1999 e 2008. A partir do constructo teórico de autonomia reflexiva, as informações foram sistematizadas em cinco bases de dados desenvolvidas pela autora, contendo variáveis relacionadas aos temas da política científica e tecnológica (Planos Plurianuais, legislação e projetos fomentados pelo CNPq) e aos temas da produção de conhecimento científico na sociologia (livros produzidos no âmbito dos programas de pós-graduação e artigos publicados em periódicos dominantes). Após a descrição dos dados, certas variáveis foram recodificadas em duas outras bases, intituladas Agendapol e Agendasol. Estas possibilitaram análises de conteúdo, de frequência temática e de similaridade entre categorias temáticas encontradas. Os resultados obtidos reforçam sobremaneira a explicação da autonomia reflexiva como característica do campo científico, mediante a compreensão de que o que se produz na sociologia não está relacionado diretamente aos assuntos delineados pelo fomento público federal: encontraram-se poucas pesquisas com muitos recursos e, ao mesmo tempo, uma tendência crescente na quantidade de pesquisas com poucos recursos (valor médio de até R$ 27 mil). Verificou-se ainda a existência de trabalhos solitários “artesanais”, bem como a existência de grupos de pesquisa e de redes produzindo coletivamente. Além disso, soube-se que os atores (individuais e institucionais) que mais publicam livros não são os que mais publicam artigos, o que pode indicar lógicas de produção e de acesso à publicações diferentes. Proporcionalmente aos livros e aos projetos de pesquisa, a publicação de arti gos é pequena, realizada por poucos atores institucionais que, no entanto, concentram mais recursos de fomento à pesquisa. Enfim, um fato marcante dentre os resultados desta tese consistiu na comprovação empírica da reprodução da dominação de certas instituições de ensino superior (IES) no campo sociológico. Num grupo de 14 IES que estão acima da média na produção de artigos, de livros, de projetos e de fomento federal recebido, Iuperj, USP e Unicamp encontram-se num primeiro patamar de produtividade. Embora não se questione de modo algum a qualidade dos trabalhos ou de seus pesquisadores, tal situação é desfavorável às transformações estruturais necessárias no fomento à pesquisa e cria entraves para novos atores tanto no que se refere ao acesso à publicação como na tomada de posições em comissões estratégicas no campo científico. Por outro lado, evidenciando que as estruturas de dominação não conseguem controlar nem determinar o campo científico, a contínua pressão de novos atores (institucionais e individuais) com demandas de diferentes campos, em conflito por posições e por reconhecimento fortalece a reflexividade. F 2010 artículo científico 0102-6992 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=339930909016 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=3399 Sociedade e Estado application/pdf Universidade de Brasília Sociedade e Estado (Brasil) Num.2 Vol.25
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