O governo biopolítico do migrante de sobrevivência: uma leitura crítica da lógica do capital humano na era neoliberal1

Fuente: Redalyc
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Main Author: Cesar Candiotto
Format: Artículo científico
Language:pt
Published: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho 2021
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author Cesar Candiotto
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contents O governo biopolítico do migrante de sobrevivência: uma leitura crítica da lógica do capital humano na era neoliberal1 Cesar Candiotto Filosofía Biopolítica Capital humano Neoliberalismo Governamentalidade Migração de sobrevivência Neste artigo, retoma-se o significado do verbo “governar” como sendo a disposição correta dos homens mediante sua relação com as coisas. Essa definição foi proposta por Michel Foucault, em Segurança, território, população, a partir de sua leitura do pensador renascentista Guillaume La Perrière. Desdobra-se essa designação deixada por Foucault, para analisar a maneira de governar da biopolítica neoliberal contemporânea dos chamados migrantes de sobrevivência, conforme a denominação de Alexander Betts. Na governamentalidade biopolítica neoliberal, a regulação da circulação dos migrantes de sobrevivência é realizada pela sua dependência da circulação das coisas, no caso, o livre fluxo transnacional do capital econômico. Cogita-se que o critério normativo para diferenciar entre a boa e a má circulação dos migrantes, na época contemporânea, não ocorre no terreno da política, mas na esfera neoliberal da biopolítica, especialmente pelos seus desdobramentos no conceito de capital humano. Dele se depreende que não somente o trabalho produtivo, mas também a vida completa dos indivíduos é avaliada em termos de investimentos e riscos pela aquisição de competências, desenvolvimento de performances e mobilidade contínua. Em Nascimento da biopolítica, de 1979, Foucault considera que a migração é um dos investimentos mais arriscados na aquisição de capital humano, porém, ele a situa de maneira homogênea, como se qualquer migrante pudesse se subjetivar como um empresário e investidor de si mesmo. Sustenta-se que a objetivação negativa dos migrantes de sobrevivência, como improdutivos e indesejáveis, tem como possível causa sua identificação indiferenciada a qualquer outro migrante econômico que busca qualificar seu capital humano. Ao se apresentar esse argumento, evidencia-se o mecanismo de economização da vida que permeia a subjetivação neoliberal e os reducionismos dele resultantes, tal como a redução da vida ao conceito de homo oeconomicus e sua designação como capital humano. Propõe-se que uma maneira de evitar esses reducionismos consiste na tentativa de conversão do olhar em relação ao migrante de sobrevivência, a começar pelo desnudamento da racionalidade que alimenta a produção biopolítica de sua existência. 2021 artículo científico 0101-3173 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=384272291007 https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/ https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/html/ https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/384272291007.epub https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/movil 10.1590/0101-3173.2021.v44n2.07.p87 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=3842 Trans/Form/Ação application/pdf Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Trans/Form/Ação (Brasil) Num.2 Vol.44
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publishDate 2021
publisher Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
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Cesar Candiotto
Filosofía
Biopolítica
Capital humano
Neoliberalismo
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Migração de sobrevivência
O governo biopolítico do migrante de sobrevivência: uma leitura crítica da lógica do capital humano na era neoliberal1 Cesar Candiotto Filosofía Biopolítica Capital humano Neoliberalismo Governamentalidade Migração de sobrevivência Neste artigo, retoma-se o significado do verbo “governar” como sendo a disposição correta dos homens mediante sua relação com as coisas. Essa definição foi proposta por Michel Foucault, em Segurança, território, população, a partir de sua leitura do pensador renascentista Guillaume La Perrière. Desdobra-se essa designação deixada por Foucault, para analisar a maneira de governar da biopolítica neoliberal contemporânea dos chamados migrantes de sobrevivência, conforme a denominação de Alexander Betts. Na governamentalidade biopolítica neoliberal, a regulação da circulação dos migrantes de sobrevivência é realizada pela sua dependência da circulação das coisas, no caso, o livre fluxo transnacional do capital econômico. Cogita-se que o critério normativo para diferenciar entre a boa e a má circulação dos migrantes, na época contemporânea, não ocorre no terreno da política, mas na esfera neoliberal da biopolítica, especialmente pelos seus desdobramentos no conceito de capital humano. Dele se depreende que não somente o trabalho produtivo, mas também a vida completa dos indivíduos é avaliada em termos de investimentos e riscos pela aquisição de competências, desenvolvimento de performances e mobilidade contínua. Em Nascimento da biopolítica, de 1979, Foucault considera que a migração é um dos investimentos mais arriscados na aquisição de capital humano, porém, ele a situa de maneira homogênea, como se qualquer migrante pudesse se subjetivar como um empresário e investidor de si mesmo. Sustenta-se que a objetivação negativa dos migrantes de sobrevivência, como improdutivos e indesejáveis, tem como possível causa sua identificação indiferenciada a qualquer outro migrante econômico que busca qualificar seu capital humano. Ao se apresentar esse argumento, evidencia-se o mecanismo de economização da vida que permeia a subjetivação neoliberal e os reducionismos dele resultantes, tal como a redução da vida ao conceito de homo oeconomicus e sua designação como capital humano. Propõe-se que uma maneira de evitar esses reducionismos consiste na tentativa de conversão do olhar em relação ao migrante de sobrevivência, a começar pelo desnudamento da racionalidade que alimenta a produção biopolítica de sua existência. 2021 artículo científico 0101-3173 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=384272291007 https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/ https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/html/ https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/384272291007.epub https://www.redalyc.org/journal/3842/384272291007/movil 10.1590/0101-3173.2021.v44n2.07.p87 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=3842 Trans/Form/Ação application/pdf Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Trans/Form/Ação (Brasil) Num.2 Vol.44
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