Por dentro do corpo feminino: uma viagem ao passado
Fuente:
Redalyc
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| Autore principale: | |
|---|---|
| Natura: | Artículo científico |
| Lingua: | pt |
| Pubblicazione: |
Universidade Estadual do Oeste do Paraná
2010
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| Soggetti: | |
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| _version_ | 1876447184462807040 |
|---|---|
| author | Mary Del Priore |
| author_facet | Mary Del Priore |
| contents | Por dentro do corpo feminino: uma viagem ao passado Mary Del Priore Historia O objetivo, aqui, é tratar do desejo de “dizer” o corpo da mulher e mais especificamente de nomear o “sul” deste corpo: pequena história do baixo-ventre, de sua cartografia, de seus lugares de prazer e de dor, das imagens sobre a sexualidade feminina a partir de diferentes compartimentos do saber histórico. Os elementos para a história do imaginário sobre o corpo e das formas de sua descrição encontram-se tanto na filosofia cristã, quanto no saber médico, que começa a se construir a partir do século XVII, em Portugal. Nesta época e em toda a Europa ocidental, a medicina e a Igreja uniam forças na luta para a constituição de um estado centralizado, baseado na privatização do eu e na apropriação privada dos meios de produção. Nesse estado, tanto o médico, que cuidava dos corpos, quanto o padre, que cuidava das almas, tinham acesso ao corpo feminino. Apoiados na escolástica consideravam-no uma abominável roupagem da alma, um perigoso território, um lugar de tentação, votado à putrefação, destinado aos vermes e excrementos. Para além destas imagens evocativas do pensamento cristão sobre o corpo, - imagens que habitam, aliás, suas constantes representações na Idade Moderna ibérica-, a noção cristã sobre a sexualidade e o uso dos prazeres limitava-se à retomada de algumas categorias familiares saídas da Antiguidade. Compreendia-se o “exterior” (foris), como invólucro capaz de manifestar ou trair o interior (intus), a alma. Mais além, a teologia insistia em reinterpretar a distinção corpo/alma através da dicotomia corpo mortal/ alma imortal. Havia uma dolorosa distinção entre esses dois polos: um, positivo, centrado na encarnação do único corpo que importava, aquele do Cristo, capaz de fazer pensar o físico como meio e lugar da salvação; e um polo negativo que definia o corpo como matéria impura, vetor do pecado original, revelando-se, na sua contiguidade com a carne, marcado pela luxúria e pelo pecado. 2010 artículo científico 1518-4196 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=445944365003 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=4459 Espaço Plural application/pdf Universidade Estadual do Oeste do Paraná Espaço Plural (Brasil) Num.23 Vol.XI |
| format | Artículo científico |
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| institution | Redalyc |
| language | pt |
| publishDate | 2010 |
| publisher | Universidade Estadual do Oeste do Paraná |
| spellingShingle | Por dentro do corpo feminino: uma viagem ao passado Mary Del Priore Historia Por dentro do corpo feminino: uma viagem ao passado Mary Del Priore Historia O objetivo, aqui, é tratar do desejo de “dizer” o corpo da mulher e mais especificamente de nomear o “sul” deste corpo: pequena história do baixo-ventre, de sua cartografia, de seus lugares de prazer e de dor, das imagens sobre a sexualidade feminina a partir de diferentes compartimentos do saber histórico. Os elementos para a história do imaginário sobre o corpo e das formas de sua descrição encontram-se tanto na filosofia cristã, quanto no saber médico, que começa a se construir a partir do século XVII, em Portugal. Nesta época e em toda a Europa ocidental, a medicina e a Igreja uniam forças na luta para a constituição de um estado centralizado, baseado na privatização do eu e na apropriação privada dos meios de produção. Nesse estado, tanto o médico, que cuidava dos corpos, quanto o padre, que cuidava das almas, tinham acesso ao corpo feminino. Apoiados na escolástica consideravam-no uma abominável roupagem da alma, um perigoso território, um lugar de tentação, votado à putrefação, destinado aos vermes e excrementos. Para além destas imagens evocativas do pensamento cristão sobre o corpo, - imagens que habitam, aliás, suas constantes representações na Idade Moderna ibérica-, a noção cristã sobre a sexualidade e o uso dos prazeres limitava-se à retomada de algumas categorias familiares saídas da Antiguidade. Compreendia-se o “exterior” (foris), como invólucro capaz de manifestar ou trair o interior (intus), a alma. Mais além, a teologia insistia em reinterpretar a distinção corpo/alma através da dicotomia corpo mortal/ alma imortal. Havia uma dolorosa distinção entre esses dois polos: um, positivo, centrado na encarnação do único corpo que importava, aquele do Cristo, capaz de fazer pensar o físico como meio e lugar da salvação; e um polo negativo que definia o corpo como matéria impura, vetor do pecado original, revelando-se, na sua contiguidade com a carne, marcado pela luxúria e pelo pecado. 2010 artículo científico 1518-4196 https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=445944365003 pt http://www.redalyc.org/revista.oa?id=4459 Espaço Plural application/pdf Universidade Estadual do Oeste do Paraná Espaço Plural (Brasil) Num.23 Vol.XI |
| title | Por dentro do corpo feminino: uma viagem ao passado |
| topic | Historia |
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