MÍDIA, CONTROLE SOCIAL E NECROPOLÍTICA: APONTAMENTOS SOBRE A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA URBANA
Fuente:
Zenodo
Guardado en:
| Autores principales: | , |
|---|---|
| Formato: | Recurso digital |
| Lenguaje: | portugués |
| Publicado: |
Zenodo
2025
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| Materias: | |
| Acceso en línea: | |
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| _version_ | 1866901592478842880 |
|---|---|
| author | Correa, Elisa Gutierrez Barros, Matheus Guimarães de |
| author_facet | Correa, Elisa Gutierrez Barros, Matheus Guimarães de |
| contents | <p><strong><span>Introdução</span></strong><span>: O presente trabalho investiga o papel da mídia jornalística na (re)produção de discursos e imagens que legitimam e justificam o controle armado de determinados grupos sociais, naturalizando a violência seletiva e autoritária do Estado. <strong>Objetivo</strong>: Busca-se, com isso, contribuir para o aprofundamento de debates que conectam jornalismo e segurança pública, destacando os impactos de reportagens jornalísticas na configuração de uma política estatal de morte e de militarização urbana empregada contra territórios de favelas e periferias por todo o Brasil. <strong>Metodologia</strong>: Trata-se de uma pesquisa qualitativa e interdisciplinar, amparada numa revisão da literatura pertinente, bem como na análise de jornais de grande circulação nacional. A fundamentação teórica do trabalho relaciona crítica midiática e estudos anticoloniais, dando especial atenção aos conceitos de punitivismo midiático e necropolítica. <strong>Discussão</strong>: Os meios de comunicação de massa, em particular os jornais de grande circulação, possuem um certo caráter “hipodérmico”, tendo em vista a sua capacidade de influência sobre o público, de injetar-lhe narrativas e emoções, de estabelecer regimes de verdade. Apesar de não ser absoluta, essa capacidade ganha força quando respaldada por crenças e valores historicamente consolidados na cultura do país. O racismo e o elitismo estruturais, legados do colonialismo e da escravidão, e robustecidos por um sistema capitalista dependente, com longos períodos ditatoriais, alicerçam a espetacularização jornalística da violência urbana no Brasil. Com isso, a pauta da segurança pública se transforma num veículo de disseminação do ódio a minorias raciais e de classe, assim como de reivindicação de medidas penais cada vez mais duras e repressivas em face de corpos e espaços rotulados “inimigos”. <strong>Conclusão</strong>: Portanto, conclui-se que o jornalismo hegemônico, ao assumir um punitivismo midiático, acaba se tornando um ator importante para a continuidade e o acirramento de políticas de segurança pública baseadas no terror de Estado. Tais políticas bélicas, por sua vez, não abarcam o conjunto da sociedade, mas restringem a sua incidência em grupos e territórios empobrecidos e racializados nas cidades, alimentando a segregação urbana, as desigualdades socioeconômicas e a supremacia branca.</span></p> |
| format | Recurso digital |
| id | zenodo_https___doi_org_10_5281_zenodo_16221736 |
| institution | Zenodo |
| language | por |
| publishDate | 2025 |
| publisher | Zenodo |
| record_format | zenodo |
| spellingShingle | MÍDIA, CONTROLE SOCIAL E NECROPOLÍTICA: APONTAMENTOS SOBRE A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA URBANA Correa, Elisa Gutierrez Barros, Matheus Guimarães de Jornalismo; Segurança Pública; Punitivismo Midiático; Necropolítica. <p><strong><span>Introdução</span></strong><span>: O presente trabalho investiga o papel da mídia jornalística na (re)produção de discursos e imagens que legitimam e justificam o controle armado de determinados grupos sociais, naturalizando a violência seletiva e autoritária do Estado. <strong>Objetivo</strong>: Busca-se, com isso, contribuir para o aprofundamento de debates que conectam jornalismo e segurança pública, destacando os impactos de reportagens jornalísticas na configuração de uma política estatal de morte e de militarização urbana empregada contra territórios de favelas e periferias por todo o Brasil. <strong>Metodologia</strong>: Trata-se de uma pesquisa qualitativa e interdisciplinar, amparada numa revisão da literatura pertinente, bem como na análise de jornais de grande circulação nacional. A fundamentação teórica do trabalho relaciona crítica midiática e estudos anticoloniais, dando especial atenção aos conceitos de punitivismo midiático e necropolítica. <strong>Discussão</strong>: Os meios de comunicação de massa, em particular os jornais de grande circulação, possuem um certo caráter “hipodérmico”, tendo em vista a sua capacidade de influência sobre o público, de injetar-lhe narrativas e emoções, de estabelecer regimes de verdade. Apesar de não ser absoluta, essa capacidade ganha força quando respaldada por crenças e valores historicamente consolidados na cultura do país. O racismo e o elitismo estruturais, legados do colonialismo e da escravidão, e robustecidos por um sistema capitalista dependente, com longos períodos ditatoriais, alicerçam a espetacularização jornalística da violência urbana no Brasil. Com isso, a pauta da segurança pública se transforma num veículo de disseminação do ódio a minorias raciais e de classe, assim como de reivindicação de medidas penais cada vez mais duras e repressivas em face de corpos e espaços rotulados “inimigos”. <strong>Conclusão</strong>: Portanto, conclui-se que o jornalismo hegemônico, ao assumir um punitivismo midiático, acaba se tornando um ator importante para a continuidade e o acirramento de políticas de segurança pública baseadas no terror de Estado. Tais políticas bélicas, por sua vez, não abarcam o conjunto da sociedade, mas restringem a sua incidência em grupos e territórios empobrecidos e racializados nas cidades, alimentando a segregação urbana, as desigualdades socioeconômicas e a supremacia branca.</span></p> |
| title | MÍDIA, CONTROLE SOCIAL E NECROPOLÍTICA: APONTAMENTOS SOBRE A ESPETACULARIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA URBANA |
| topic | Jornalismo; Segurança Pública; Punitivismo Midiático; Necropolítica. |
| url | https://doi.org/10.5281/zenodo.16221736 |