Cidade Baixa debaixo d'água: um panorama das transformações urbanas através do histórico das inundações do bairro

Fuente: Zenodo
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1. Verfasser: Cavalli, Juliana Giazzon
Format: Recurso digital
Sprache:Portugiesisch
Veröffentlicht: Zenodo 2025
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author Cavalli, Juliana Giazzon
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contents <p>A Cidade Baixa é um dos bairros mais antigos e emblemáticos de Porto Alegre, com uma história que remonta ao período colonial e se entrelaça com as transformações socioculturais da cidade até hoje. Localizada na planície da bacia do Guaíba e próxima à sua foz, a região é uma zona alagadiça e sofre com o impacto de inundações até hoje. Na sua mais recente e grave inundação, ocorrida em maio de 2024 após um temporal e falhas no sistema de drenagem, o bairro foi submerso e dezenas de milhares de pessoas precisaram deixar suas casas. Este artigo busca remontar a história do bairro Cidade Baixa, abordando marcos das inundações históricas e das transformações urbanas na região ao longo do século XX. Com o grande crescimento de Porto Alegre entre 1910 e 1914, por encomenda de Montaury, foi realizado um estudo visando implantar reformas urbanas, inspirado em processos de outras grandes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo (BURIN, 2008). Foi instaurado o Plano Geral de Melhoramentos, que incluía a retificação do Riacho, como era conhecido o Arroio Dilúvio. Durante a implementação do plano, em 1912 e 1914, a cidade enfrentou mais dois eventos de inundação, sendo o último especificamente impactante na infraestrutura urbana. A partir disso, iniciou-se a discussão sobre reformas urbanas para lidar com as recorrentes enchentes. O Riacho era um elemento estruturador da paisagem urbana da região, especialmente no ponto da Ponte de Pedra. Sua canalização provocou grandes mudanças na paisagem e na estruturação do espaço urbano porto-alegrense (MOG, 2014). Nas décadas de 1920 e 1930, a cidade sofreu novas inundações, com as mais fortes ocorrendo em 1926, 1928 e a mais devastadora delas em 1936. Diante da iminente urgência de se discutir o problema, diversos documentos e propostas de projeto foram publicados, destacando-se: Schneider (1925), Medáglia (1930), Ary de Abreu Lima (1935), Ubatuba de Faria e Edvaldo Pereira Paiva (1936) e, por fim, o plano de urbanização do arquiteto Arnaldo Gladosch (1939-1943). Esse plano, encomendado por Loureiro da Silva, culminou na canalização do Riacho desde sua foz até a João Pessoa (BURIN, 2008) e na construção da Avenida Ipiranga (MOG, 2014). Em maio de 1939, o Conselho do Plano Diretor expressou suas preocupações quanto às consequências da canalização: "O grande problema é o aproveitamento, para urbanização, das grandes áreas marginais do Riacho.</p>
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institution Zenodo
language por
publishDate 2025
publisher Zenodo
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spellingShingle Cidade Baixa debaixo d'água: um panorama das transformações urbanas através do histórico das inundações do bairro
Cavalli, Juliana Giazzon
8º Seminário Docomomo Sul, Porto Alegre, 2025
<p>A Cidade Baixa é um dos bairros mais antigos e emblemáticos de Porto Alegre, com uma história que remonta ao período colonial e se entrelaça com as transformações socioculturais da cidade até hoje. Localizada na planície da bacia do Guaíba e próxima à sua foz, a região é uma zona alagadiça e sofre com o impacto de inundações até hoje. Na sua mais recente e grave inundação, ocorrida em maio de 2024 após um temporal e falhas no sistema de drenagem, o bairro foi submerso e dezenas de milhares de pessoas precisaram deixar suas casas. Este artigo busca remontar a história do bairro Cidade Baixa, abordando marcos das inundações históricas e das transformações urbanas na região ao longo do século XX. Com o grande crescimento de Porto Alegre entre 1910 e 1914, por encomenda de Montaury, foi realizado um estudo visando implantar reformas urbanas, inspirado em processos de outras grandes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo (BURIN, 2008). Foi instaurado o Plano Geral de Melhoramentos, que incluía a retificação do Riacho, como era conhecido o Arroio Dilúvio. Durante a implementação do plano, em 1912 e 1914, a cidade enfrentou mais dois eventos de inundação, sendo o último especificamente impactante na infraestrutura urbana. A partir disso, iniciou-se a discussão sobre reformas urbanas para lidar com as recorrentes enchentes. O Riacho era um elemento estruturador da paisagem urbana da região, especialmente no ponto da Ponte de Pedra. Sua canalização provocou grandes mudanças na paisagem e na estruturação do espaço urbano porto-alegrense (MOG, 2014). Nas décadas de 1920 e 1930, a cidade sofreu novas inundações, com as mais fortes ocorrendo em 1926, 1928 e a mais devastadora delas em 1936. Diante da iminente urgência de se discutir o problema, diversos documentos e propostas de projeto foram publicados, destacando-se: Schneider (1925), Medáglia (1930), Ary de Abreu Lima (1935), Ubatuba de Faria e Edvaldo Pereira Paiva (1936) e, por fim, o plano de urbanização do arquiteto Arnaldo Gladosch (1939-1943). Esse plano, encomendado por Loureiro da Silva, culminou na canalização do Riacho desde sua foz até a João Pessoa (BURIN, 2008) e na construção da Avenida Ipiranga (MOG, 2014). Em maio de 1939, o Conselho do Plano Diretor expressou suas preocupações quanto às consequências da canalização: "O grande problema é o aproveitamento, para urbanização, das grandes áreas marginais do Riacho.</p>
title Cidade Baixa debaixo d'água: um panorama das transformações urbanas através do histórico das inundações do bairro
topic 8º Seminário Docomomo Sul, Porto Alegre, 2025
url https://doi.org/10.5281/zenodo.19292400