A máquina de armazenar e o ingresso da Bahia na Modernidade

Fuente: Zenodo
Guardado en:
Detalles Bibliográficos
Autor principal: Paoli, Paula Silveira de
Formato: Recurso digital
Lenguaje:portugués
Publicado: Zenodo 2008
Materias:
Acceso en línea:
Etiquetas: Agregar Etiqueta
Sin Etiquetas, Sea el primero en etiquetar este registro!
_version_ 1866901740531482624
author Paoli, Paula Silveira de
author_facet Paoli, Paula Silveira de
contents <p><strong>Resumo:</strong> "Deveria ser um galpão, conspicuamente banal, ou uma palhoça, definitivamente reles, para que ficasse impreterivelmente consagrado o que da Bahia dizem os seus detratores, que na Bahia nada não presta, que a Bahia é uma terra de bugres[?]" Com estas palavras, publicadas no Relatório e Anuário do Instituto de Cacau da Bahia em 1934, Arthur Neiva, Interventor do Estado da Bahia, justificava as onerosas instalações do edifício-sede do Instituto, então em construção. O edifício está localizado no bairro do Comércio em Salvador, nas proximidades do porto. Deveria abrigar um armazém para as sacas de cacau a serem exportadas pelo Instituto, os escritórios da administração e uma sala de reuniões para os associados. Mas havia mais. O principal objetivo do edifício, revelado nas palavras ufanistas acima citadas, era constituir o símbolo das atividades do Instituto, construindo uma imagem de grandeza em torno do comércio do cacau e, por conseguinte, exaltando a Bahia, responsável por 96% da produção nacional. Sua construção deveria ser o marco do ingresso da Bahia na modernidade e de sua consolidação como um dos estados produtores de peso na economia nacional, e mesmo mundial. Deste objetivo decorreriam várias escolhas feitas ao longo do projeto, como sua arquitetura de vanguarda e o emprego ostensivo das tecnologias mais avançadas da época. O edifício foi concebido não como um simples armazém, mas como uma máquina de armazenar, inteiramente mecanizada, que teve grande repercussão, tanto na época de sua construção quanto nos anos que se seguiram.</p> <p><strong>Abstract:</strong> "Should it be merely a banal shed, or a definitively poor hut, so that it would be for ever obvious that in Bahia nothing is good, that Bahia is a wild land[?]" These words have been published at the Relatório e Anuário do Instituto de Cacau da Bahia in 1934 by Arthur Neiva, Governor of the State of Bahia, in order to justify the expensive installations of the main building of the Instituto, which was under construction at that time. The building is located in the Comércio District in Salvador, near the city port. It should house a warehouse for the cocoa sacks to be exported by the Instituto, as well as the administration offices and a meeting room for the associates. But there was more to it. The main aim of the building, which can be perceived in the praising words above, was to symbolize the activities of the Instituto, constructing an image of greatness about the cocoa business, and, as a consequence, praising the State of Bahia, which was responsible for 96% of the national production. Its construction should be a sign of the entrance of Bahia in the modern times and its consolidation as one of the most important states for the country economy, and even for the world economy. This aim would be the reason of various choices which have been made along the project, such as its modern architecture and the vast use of the most advanced technologies of the time. The building was designed not to be a simple warehouse, but an entirely mechanized storage machine, which became well- known at the time it was built, and even later on.</p>
format Recurso digital
id zenodo_https___doi_org_10_5281_zenodo_19293346
institution Zenodo
language por
publishDate 2008
publisher Zenodo
record_format zenodo
spellingShingle A máquina de armazenar e o ingresso da Bahia na Modernidade
Paoli, Paula Silveira de
arquitetura moderna
desenvolvimento
projeto
modern architecture
development
project
2º Seminário Docomomo Norte/Nordeste, Salvador, 2008
<p><strong>Resumo:</strong> "Deveria ser um galpão, conspicuamente banal, ou uma palhoça, definitivamente reles, para que ficasse impreterivelmente consagrado o que da Bahia dizem os seus detratores, que na Bahia nada não presta, que a Bahia é uma terra de bugres[?]" Com estas palavras, publicadas no Relatório e Anuário do Instituto de Cacau da Bahia em 1934, Arthur Neiva, Interventor do Estado da Bahia, justificava as onerosas instalações do edifício-sede do Instituto, então em construção. O edifício está localizado no bairro do Comércio em Salvador, nas proximidades do porto. Deveria abrigar um armazém para as sacas de cacau a serem exportadas pelo Instituto, os escritórios da administração e uma sala de reuniões para os associados. Mas havia mais. O principal objetivo do edifício, revelado nas palavras ufanistas acima citadas, era constituir o símbolo das atividades do Instituto, construindo uma imagem de grandeza em torno do comércio do cacau e, por conseguinte, exaltando a Bahia, responsável por 96% da produção nacional. Sua construção deveria ser o marco do ingresso da Bahia na modernidade e de sua consolidação como um dos estados produtores de peso na economia nacional, e mesmo mundial. Deste objetivo decorreriam várias escolhas feitas ao longo do projeto, como sua arquitetura de vanguarda e o emprego ostensivo das tecnologias mais avançadas da época. O edifício foi concebido não como um simples armazém, mas como uma máquina de armazenar, inteiramente mecanizada, que teve grande repercussão, tanto na época de sua construção quanto nos anos que se seguiram.</p> <p><strong>Abstract:</strong> "Should it be merely a banal shed, or a definitively poor hut, so that it would be for ever obvious that in Bahia nothing is good, that Bahia is a wild land[?]" These words have been published at the Relatório e Anuário do Instituto de Cacau da Bahia in 1934 by Arthur Neiva, Governor of the State of Bahia, in order to justify the expensive installations of the main building of the Instituto, which was under construction at that time. The building is located in the Comércio District in Salvador, near the city port. It should house a warehouse for the cocoa sacks to be exported by the Instituto, as well as the administration offices and a meeting room for the associates. But there was more to it. The main aim of the building, which can be perceived in the praising words above, was to symbolize the activities of the Instituto, constructing an image of greatness about the cocoa business, and, as a consequence, praising the State of Bahia, which was responsible for 96% of the national production. Its construction should be a sign of the entrance of Bahia in the modern times and its consolidation as one of the most important states for the country economy, and even for the world economy. This aim would be the reason of various choices which have been made along the project, such as its modern architecture and the vast use of the most advanced technologies of the time. The building was designed not to be a simple warehouse, but an entirely mechanized storage machine, which became well- known at the time it was built, and even later on.</p>
title A máquina de armazenar e o ingresso da Bahia na Modernidade
topic arquitetura moderna
desenvolvimento
projeto
modern architecture
development
project
2º Seminário Docomomo Norte/Nordeste, Salvador, 2008
url https://doi.org/10.5281/zenodo.19293346