Moderno colonial: património escolar em Angola construído durante o Estado Novo português

Fuente: Zenodo
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Hauptverfasser: Milheiro, Ana Cristina Fernandes Vaz, Ferreira, Jorge Manuel Figueira Fernandes
Format: Recurso digital
Sprache:Portugiesisch
Veröffentlicht: Zenodo 2010
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author Milheiro, Ana Cristina Fernandes Vaz
Ferreira, Jorge Manuel Figueira Fernandes
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Ferreira, Jorge Manuel Figueira Fernandes
contents <p><strong>Resumo:</strong> Com António Salazar como presidente do Conselho Político Nacional, iniciou-se em Portugal um novo ciclo de governação. Salazar fora já antes Ministro das Colónias reforçando a importância que os territórios ultramarinos – especialmente em África – representavam na economia nacional. Angola foi uma das províncias onde o Estado Português mais investiu a partir dos anos de 1930. Uma das estratégias da ditadura assentava na criação de uma rede escolar liceal e técnico profissional considerada essencial ao desenvolvimento de uma elite local. Inicialmente os projectos para as escolas das regiões ultramarinas eram desenvolvidos por profissionais recrutados no âmbito dos gabinetes responsáveis pelas edificações escolares metropolitanas, caso da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário (JCETS) activa entre 1934 e 1969. Mas nos finais de 1944, foi criado em Lisboa por Marcelo Caetano, um organismo exclusivamente dedicado à execução de projectos de arquitectura e de urbanismo para estes territórios, o Gabinete de Urbanização Colonial (GUC, depois do Ultramar), dependente do Ministério das Colónias. Portugal antecipava as transformações políticas decorrentes do resultado da II Guerra Mundial. Pretendia- se imprimir aos territórios coloniais africanos, que compunham o Império Português, marcas de civilização "europeia" que justificassem a manutenção da administração colonial. Com a reforma legislativa de 1957, os projectos escolares passaram a ser realizados em gabinetes locais. Esta passagem fortaleceu a consolidação de uma cultura moderna em oposição ao desenho "conservador" dos arquitectos metropolitanos. Esta comunicação pretende dar uma visão desse processo através de casos de estudo levantados em Luanda, Lobito e Benguela, mostrando como a arquitectura portuguesa colonial integrou progressivamente uma linguagem moderna. Tratando-se de estruturas ainda muito presentes na sociedade angolana, apesar do seu actual estado de deterioração, pensamos ser determinante analisar como sobrevivem. Como exemplos, propomos o antigo Liceu Nacional Salvador Correia, de 1936, a Escola Feminina D. Guiomar de Lencastre, obra dos arquitectos do GUU, ou o Liceu Paulo Novais, edifício moderno sobre pilotis de Sabino Correia, já de 1969, todos na capital angolana. No Lobito, o Liceu Nacional de Francisco Castro Rodrigues funciona ainda como um ex-libris do "moderno tropical", enquanto em Benguela, o liceu local conserva a traça conservadora própria dos projectos oficiais.</p> <p><strong>Abstract:</strong> With António Salazar as president of the National Political Council, began a new cycle of governance in Portugal. Salazar was already before Minister of Colonies, reinforcing the importance of the overseas territories – particularly in Africa – represented in the national economy. Angola was one of the provinces where the Portuguese state invested more from the 1930s. One of the strategies of the dictatorship was based on the creation of a school system considered essential to the development of local elite. Initially the projects for schools in overseas areas were developed in different council offices. But in late 1944, Marcelo Caetano set up in Lisbon a body exclusively dedicated to carrying out architectural and planning projects in the colonial territories – the Colonial Planning Office (GUC in Portuguese, after GUU). The office reported to the Ministry of the Colonies. The office was Portugal's way of anticipating the political transformations resulting from the outcome of the 2nd World War. The aim was to give the colonies in Africa that made up the Portuguese Empire a hallmark of "European" civilisation that would justify the maintenance of the colonial administration. With the reform of 1957, school projects have been carried out in local offices. This move strengthened the consolidation of a modern culture as opposed to the "conservative" design of the metropolitan architects. This communication gives an overview of this process through case studies collected in Luanda, Lobito and Benguela, showing how the colonial Portuguese architecture has gradually incorporated a modern language. Because these structures are still very present in Angolan society, despite its current state of deterioration, we believe it is crucial to analyze how they survive nowadays. As examples, we propose the former National School Salvador Correia, 1936, the School for Girls D. Guiomar de Lencastre, work of the GUU's architects, or the former Liceu Paulo Novais, modern building on pilotis by Sabino Correia, 1969, all in the Angolan capital. In Lobito, the National Scholl by Francisco Castro Rodrigues, still represents an "ex-libris" of "modern tropical", while in Benguela, the local High School retains the conservative traces from the official projects.</p>
format Recurso digital
id zenodo_https___doi_org_10_5281_zenodo_19293489
institution Zenodo
language por
publishDate 2010
publisher Zenodo
record_format zenodo
spellingShingle Moderno colonial: património escolar em Angola construído durante o Estado Novo português
Milheiro, Ana Cristina Fernandes Vaz
Ferreira, Jorge Manuel Figueira Fernandes
Património escolar
Arquitectura angolana
Moderno colonial
Heritage Educational Buildings
Architecture in Angola
Modern colonial
3º Seminário Docomomo Norte/Nordeste, João Pessoa, 2010
<p><strong>Resumo:</strong> Com António Salazar como presidente do Conselho Político Nacional, iniciou-se em Portugal um novo ciclo de governação. Salazar fora já antes Ministro das Colónias reforçando a importância que os territórios ultramarinos – especialmente em África – representavam na economia nacional. Angola foi uma das províncias onde o Estado Português mais investiu a partir dos anos de 1930. Uma das estratégias da ditadura assentava na criação de uma rede escolar liceal e técnico profissional considerada essencial ao desenvolvimento de uma elite local. Inicialmente os projectos para as escolas das regiões ultramarinas eram desenvolvidos por profissionais recrutados no âmbito dos gabinetes responsáveis pelas edificações escolares metropolitanas, caso da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário (JCETS) activa entre 1934 e 1969. Mas nos finais de 1944, foi criado em Lisboa por Marcelo Caetano, um organismo exclusivamente dedicado à execução de projectos de arquitectura e de urbanismo para estes territórios, o Gabinete de Urbanização Colonial (GUC, depois do Ultramar), dependente do Ministério das Colónias. Portugal antecipava as transformações políticas decorrentes do resultado da II Guerra Mundial. Pretendia- se imprimir aos territórios coloniais africanos, que compunham o Império Português, marcas de civilização "europeia" que justificassem a manutenção da administração colonial. Com a reforma legislativa de 1957, os projectos escolares passaram a ser realizados em gabinetes locais. Esta passagem fortaleceu a consolidação de uma cultura moderna em oposição ao desenho "conservador" dos arquitectos metropolitanos. Esta comunicação pretende dar uma visão desse processo através de casos de estudo levantados em Luanda, Lobito e Benguela, mostrando como a arquitectura portuguesa colonial integrou progressivamente uma linguagem moderna. Tratando-se de estruturas ainda muito presentes na sociedade angolana, apesar do seu actual estado de deterioração, pensamos ser determinante analisar como sobrevivem. Como exemplos, propomos o antigo Liceu Nacional Salvador Correia, de 1936, a Escola Feminina D. Guiomar de Lencastre, obra dos arquitectos do GUU, ou o Liceu Paulo Novais, edifício moderno sobre pilotis de Sabino Correia, já de 1969, todos na capital angolana. No Lobito, o Liceu Nacional de Francisco Castro Rodrigues funciona ainda como um ex-libris do "moderno tropical", enquanto em Benguela, o liceu local conserva a traça conservadora própria dos projectos oficiais.</p> <p><strong>Abstract:</strong> With António Salazar as president of the National Political Council, began a new cycle of governance in Portugal. Salazar was already before Minister of Colonies, reinforcing the importance of the overseas territories – particularly in Africa – represented in the national economy. Angola was one of the provinces where the Portuguese state invested more from the 1930s. One of the strategies of the dictatorship was based on the creation of a school system considered essential to the development of local elite. Initially the projects for schools in overseas areas were developed in different council offices. But in late 1944, Marcelo Caetano set up in Lisbon a body exclusively dedicated to carrying out architectural and planning projects in the colonial territories – the Colonial Planning Office (GUC in Portuguese, after GUU). The office reported to the Ministry of the Colonies. The office was Portugal's way of anticipating the political transformations resulting from the outcome of the 2nd World War. The aim was to give the colonies in Africa that made up the Portuguese Empire a hallmark of "European" civilisation that would justify the maintenance of the colonial administration. With the reform of 1957, school projects have been carried out in local offices. This move strengthened the consolidation of a modern culture as opposed to the "conservative" design of the metropolitan architects. This communication gives an overview of this process through case studies collected in Luanda, Lobito and Benguela, showing how the colonial Portuguese architecture has gradually incorporated a modern language. Because these structures are still very present in Angolan society, despite its current state of deterioration, we believe it is crucial to analyze how they survive nowadays. As examples, we propose the former National School Salvador Correia, 1936, the School for Girls D. Guiomar de Lencastre, work of the GUU's architects, or the former Liceu Paulo Novais, modern building on pilotis by Sabino Correia, 1969, all in the Angolan capital. In Lobito, the National Scholl by Francisco Castro Rodrigues, still represents an "ex-libris" of "modern tropical", while in Benguela, the local High School retains the conservative traces from the official projects.</p>
title Moderno colonial: património escolar em Angola construído durante o Estado Novo português
topic Património escolar
Arquitectura angolana
Moderno colonial
Heritage Educational Buildings
Architecture in Angola
Modern colonial
3º Seminário Docomomo Norte/Nordeste, João Pessoa, 2010
url https://doi.org/10.5281/zenodo.19293489